Prémio Valmor

e estórias da cidade que escolhi para viver

© Jaime Roriz – Junho de 2005

 

 

 

nestas poucas palavras e imagens faço um percurso pela História e por Lisboa, usando algumas estórias para dar cor e sabor.

 

Convite à participação:

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1910

1920

1930

1940

1950

1960

1970

1980

1990

2000

 

1911

1921

1931

1941

1951

1961

1971

1981

1991

2001

1902

1912

1922

1932

1942

1952

1962

1972

1982

1992

2002

1903

1913

1923

1933

1943

1953

1963

1973

1983

1993

 

1904

1914

1924

1934

1944

1954

1964

1974

1984

1994

 

1905

1915

1925

1935

1945

1955

1965

1975

1985

1995

 

1906

1916

1926

1936

1946

1956

1966

1976

1986

1996

 

1907

1917

1927

1937

1947

1957

1967

1977

1987

1997

 

1908

1918

1928

1938

1948

1958

1968

1978

1988

1998

 

1909

1919

1929

1939

1949

1959

1969

1979

1989

1999

 

 

O Prémio Valmor de 1902 foi atribuído ao Palácio Lima Mayer (1), uma construção de 1901, situada na Avenida da Liberdade fazendo esquina para a Rua do Salitre e da qual Adolfo de Lima Mayer era proprietário. O arquitecto foi Nicola Bigaglia (?-1908), italiano radicado em Portugal.

Palácio Lima Mayer

Nós éramos jovens e amantes de beber cerveja. Muita cerveja de preferência. Ainda me pergunto qual seria a graça de beber tanta cerveja e de lutar pela lucidez, mas tenho a certeza que nos divertíamos muito e que as relações que resultaram dessas noites de estroina foram fortes e duradouras. Aqui mesmo ao pé deste lindo prédio há uma grande cervejaria por onde se entra descendo três ou quatro degraus e cujas montras ostentam lavagantes e sapateiras que não estavam ao alcance das nossas bolsas. Alguém, no meio da barafunda e dos gritos típicos das cervejarias de Lisboa, dizia ao Rick – americano intranquilo de visita à nossa cidade – os defeitos dos portugueses e de Portugal. Aquilo tomou de assalto a nossa alma de portugueses e fizemos assim uma das amizades da nossa vida. O Rick nunca mais esqueceu Lisboa nem o palácio Lima Mayer.

O Prémio de 1903 coube a um edifício, a Casa Ventura Terra (2), na Rua Alexandre Herculano, 57, do qual Miguel Ventura Terra (1866-1916) foi o arquitecto e proprietário.

Palácio Lima Mayer

Este prédio fica perto da “Igreja dos Judeus” em Lisboa. “A velha senhora” como lhe chamou uma vez uma das minhas filhas. Este olhar de alto a baixo que se impõe perante Lisboa viva, impulsionado pelas palavras da menina dos meus olhos é um olhar sobre Lisboa. Ali entre a Av da Liberdade e o Largo do Rato, exuberante nas formas, o prédio é discreto no seu enquadramento na rua e é preciso procurá-lo. Tem uma placa com umas explicações. A gente passa por ali a pé e pensa que Lisboa é a maior aldeia de Portugal. Há uma espécie de bazar/loja de ferragens/drogaria que é uma festa para os sentidos. Há por ali umas pessoas com uma certa idade mas ninguém tem uma idade certa. Certo é que encontrei ali há muitos anos, lá por 1977, um homem sentado em cima duma caixa de ferramentas que dizia – Mecânico de gelosias – na ignorância dos meus 18 anos eu nem sabia o que era isso. Afinal eram persianas e naquele final dos anos 70 em que não havia trabalho nem emprego fiquei a achar que ser mecânico de gelosias era um drama que podia acontecer a qualquer um.

1904 Uma delas, a Casa Lambertini (3), cujo proprietário Michelangelo Lambertini exprimiu a sua revolta apelando mesmo à Câmara no sentido desta anular a decisão, localiza-se na Avenida da Liberdade, 166-168, tendo por arquitecto Nicola Bigaglia, anteriormente distinguido.

Casa Lambertini

Menção Honrosa 1904

1904 A segunda Menção Honrosa coube a um edifício de habitação (4), também na Avenida da Liberdade (262-264), que teve como arquitecto Jorge Pereira Leite e cujo proprietário era António José Gomes Netto.
Apesar de ser um edifício premiado, a sua fachada encontra-se degradada.

Casa Lambertini

Menção honrosa 1904

Em 1905 foi premiada a Casa Malhoa (5), localizada na Avenida 5 de Outubro, 6-8, edifício que serviu de habitação e também atelier ao pintor José Malhoa, seu proprietário, um projecto do arquitecto Manuel Norte Júnior (1878-1962).

Casa Museu Pintor José Malhoa

 

Em 1906 o prémio coube à Casa Viscondes de Valmor (6), propriedade da Viscondessa de Valmor, localizada na Avenida da República, 38, e com projecto de Miguel Ventura Terra.

Palacete Valmor

 

Em 1907 Casa Empis (7), na Avenida Duque de Loulé, 77, propriedade de Ernesto Empis e arquitectura de António Couto de Abreu (1874-1946). Edificado em estilo Francisco I, inspirado na Renascença Francesa, lembrava o castelo de Blois e a casa de Diana de Poitiers.

Palacete Valmor

Demoliram-no em 1957, de propósito para que eu, que nasci em 1959, não tivesse memórias dele para as escrever aqui. Ora bolas !

Em 1908 premiou-se, pela primeira vez, um edifício de rendimento (8) cujo Edifício de gaveto, localiza-se na Avenida Almirante Reis, 2-2K, propriedade de Guilherme Augusto Coelho com projecto de Arnaldo R. Adães Bermudes (1864-1948).

Palacete Valmor

O meu primo tem mais 11 anos do que eu. Sempre vi nele uma pessoa crescida como toda a vida desejei ser. Não sei o que é que ele tinha nessa época em que eu tinha 16 anos e ele 27, mas qualquer sítio onde ele estivesse tinha uma bela discussão cultural, tinha gente a divertir-se a valer. Foi esse modelo que segui a minha vida toda. Uma vez passámos numa tasca tascosa do outro lado da rua deste prédio. Ali a 100 metros do intendente e da prostituição que na altura ainda não havia droga por aqueles lados. O e eu lá furávamos até ao balcão por uma cerveja geladinha quando um dos clientes, do bar e do largo do intendente, resolveu armar connosco confusão. O meu primo, pequenino mas com um ar, pelo menos para mim, de homenzarrão, espetou-lhe um dedo no peito do energúmeno e perguntou: “preta ou branca a tua cerveja ?” em menos de nada estávamos ali a exercitar a boa maneira de ser português em amena cavaqueira cada um com o seu copo de  cerveja na mão.

1909 o Prémio Valmor coube ao Palacete Mendonça (10), na Avenida Marquês de Fronteira, 18-28, um projecto do arquitecto Miguel Ventura Terra para Henrique José Monteiro Mendonça. Edificado no alto do Parque Eduardo VII e um pouco recuado em relação à via pública

Um dia foi a minha vez de ser iniciado nesta coisa de ir aos tribunais na qualidade de aluno do curso de direito. Foi ali no palácio da justiça, muito perto do Palacete Mendonça, e foi uma experiência que não esqueço. Com todo o cuidado que lhe é habitual em tudo o que faz o nosso professor escolheu um caso de direitos de personalidade e as partes em juízo eram o presidente da distrital do PSD e o semanário Expresso. Foi uma bela lição de direito para nós que nunca tínhamos visto nada daquilo. E, já agora, uma demonstração da baixaria de que os políticos são capazes. Ao voltarmos para a universidade, alguns de nós, fizeram o caminho a pé. Lisboa tem sempre esse factor delicioso de nos mostrar os seus recantos sem que estejamos à espera. Naquele grupinho que ouvia embevecido considerações sobre a vida – ele confessa que vivida – do ilustre lente, tive a surpresa de poder admirar este belo palacete. Lá estávamos nós ali com aquela bela conversa e com palacete ao fundo e tudo.

Em 1910 o Prémio Valmor foi atribuído a um edifício de habitação (14) sito na Av. Fontes Pereira de Melo, 30. O autor do projecto foi o Arqº Ernesto Korrodi (1870-1944), Suíço naturalizado Português, e o edifício pertencia a António Macieira.

 

O Prémio Valmor em 1911 também foi atribuído a um edifício de habitação (15). Este situa-se no nº 25 da Rua Alexandre Herculano. O projecto é da autoria do Arqº Miguel Ventura Terra (1866-1919) e o proprietário era António Tomás Quartim.

 

Em 1912 houve um Prémio Valmor e uma Menção Honrosa atribuídos a duas moradias unifamiliares, a Villa Sousa (16), que se situa na Alameda das Linhas de Torres, 22 e a moradia (17) situada na Praça Duque de Saldanha, nº 12, respectivamente.

 

Também o ano de 1913 contempla dois edifícios, o Prémio Valmor atribuído a um edifício de habitação (18) na Av. da República, 23 cujo proprietário era José dos Santos e arquitectura de Miguel Nogueira Júnior (1883-1953),

 

No ano de 1914 o Prémio Valmor também foi atribuído a uma moradia unifamiliar (20) na Av. Fontes Pereira de Melo, nº 28 pertencente a José Marques e cuja arquitectura se deve ao Arqº Manuel Norte Júnior.

Nos 46 anos que levo de vida, é a segunda vez que vejo este prédio ser restaurado. Fica mesmo defronte da “casa Mourisca”, café onde na minha juventude passava horas perdidas. Um dia, eu e a minha namorada, numa lucubração divertida e propositada, na morrinha lenta das tardes de café em que nos divertíamos a salvar o mundo entre uma bica e um pastel de nata, fabulávamos sobre o triângulo das bermudas e propusemo-nos a fantasia de ir num pequeno bote para essa zona do globo na esperança de sermos raptados por extra terrestres à semelhança do que tinha acontecido com aeronaves e navios. Os nossos amigos ficaram abismados, levaram-nos a sério coitados, e preocupados com a nosso “triste” distanciamento da realidade. “Eles estão doidos ! Agora vão num barquinho a remos para o triângulo das bermudas !” Nós rimo-nos ou chorámos, já não me lembro bem que isto passou-se em 1980, mas nunca mais nos esquecemos. A namorada foi-se mas se um dia me virem, ou a ela, a remar, numa casca de noz, no meio do oceano já sabem porquê.

Em 1915 a distinção com o Prémio Valmor já contempla um edifício em altura (24) que se situa na Av. da Liberdade, nºs 206-218. O autor do projecto foi o Arqº Manuel Norte Júnior e o edifício pertencia a Domingos da Silva.

 

O Prémio Valmor em 1916 foi para o edifício de habitação (25) na Rua Tomás Ribeiro, nºs 58-60 pertencente a Rita de Matos e Dias com projecto do Arqº Miguel Nogueira Júnior.

 

Em 1917 o Prémio Valmor também foi atribuído a um edifício de habitação (26), composto por cinco pisos, na Rua Viriato, nº 5 que pertencia a António Macieira Júnior e cuja arquitectura se deve a Ernesto Korrodi.

 

1918

 

Não atribuído

Em 1919 o Prémio Valmor mais uma vez foi atribuído a uma moradia unifamiliar (27) situada na Av. Duque de Loulé, nº 47 que pertencia a Alfredo May de Oliveira com projecto do Arqº Álvaro Machado.

 

1920.

 

Não atribuído

A obra galardoada em 1921 com o Prémio Valmor foi o restauro de um Palácio Setecentista (28) na R. Cova da Moura, nº 1 projectado por Tertuliano Marques (1883-1942) e pertencente a João Ulrich.

 

1922

 

Não atribuído

Em 1923 o Prémio Valmor foi atribuído a um edifício de habitação (29) sito na Av. da República, 49 com projecto da autoria de um dos arquitectos da nova geração, Pardal Monteiro (1897-1957), sendo Luís Rau o seu proprietário.

 

1924

 

Não atribuído

1925

 

Não atribuído

1926

 

Não atribuído

Em 1927 o Prémio Valmor foi atribuído à Pensão Tivoli (30) situada na Av. da Liberdade, nºs 176-180, pertencente a José de Sousa Brás, devendo a sua arquitectura a Manuel Norte Júnior.

 

O Prémio Valmor de 1928 coube ao Palacete Vale Flor (31) na Calçada de Stº Amaro, 83-85, projectado pelo Arqº Pardal Monteiro sendo a Sociedade Agrícola Vale Flor sua proprietária.

 

Em 1929 o Prémio Valmor foi para uma moradia unifamiliar (32) pertencente a Félix Lopes e cujo projectista foi Pardal Monteiro.

 

O primeiro Prémio Valmor atribuído nesta década, em 1930, coube a uma moradia (33) na Rua Castilho, 64-66, um projecto do arquitecto Raul Lino da Silva (1879-1974) para Sacadura Cabral, que não viria a ocupá-la, tendo sido vendida nesse mesmo ano a Manuel Duarte.

 

1931  edifício (35) situado na Rua de Infantaria 16, 92-94, da autoria dos arquitectos Miguel Simões Jacobetty Rosa (1901-1970) e António Maria Veloso dos Reis Camelo (1899-1985) para o pintor Manuel Roque Gameiro. Construção modernista, sofreu alterações na sua estrutura em 1957, com o acréscimo de dois pisos

 

1932

 

Não atribuído

1933

 

Não atribuído

1934

 

Não atribuído

1935

 

Não atribuído

1936

 

Não atribuído

1937

 

Não atribuído

No ano de 1938 é premiado o primeiro edifício não habitacional, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (36), situada no cruzamento das avenidas Avenida Marquês de Tomar e Avenida de Berna, um projecto do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro para a Arquiconfraria do Santíssimo Sacramento de S. Julião.

 

No ano de 1939 foi premiada uma moradia (37) na Avenida Columbano Bordalo Pinheiro, 52, um projecto dos arquitectos Carlos (1887-1971) e Guilherme Rebelo de Andrade (1891-1969) para Bernardo Nunes da Maia.

 

Em relação aos Prémios Valmor, o primeiro desta década, em 1940, coube ao edifício do Diário de Noticias (38), situado na Avenida da Liberdade, 266, um projecto do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro para a Empresa Nacional de Publicidade.

O prédio pretende imitar a lombada de um livro. Na livraria – uma das boas livrarias de Lisboa – estão pintados frescos de José de Almada Negreiros. Eu costumava ir para essa livraria namorar. É um espaço cheio de cantos e recantos e no meio daqueles livros todos, de tantas monografias exuberantes. Nós perdíamo-nos declamando versos em surdina, arrebatando momentos fugazes de contacto íntimo no medo de sermos apanhados.

1941

 

Não atribuído

Em 1942 foi premiado um edifício de habitação (39) para rendimento localizado na Rua da Imprensa, 25 com projecto do arquitecto António Maria Veloso dos Reis Camelo para Acácio e Vieira, Lda. Edifício de expressão modernista é interessante pela volumetria das fachadas lateral e posterior.

 

O edifício premiado em 1943 Assim, a obra premiada neste ano, um edifício de habitação (40) situado na Avenida Sidónio Pais, 6, com projecto dos arquitectos Raul Rodrigues Lima e Fernando Silva (1914-1983) para António Cardoso Ferreira, cumpre o pretendido.

Eu tinha lido num desses livros de soluções miraculosas para a vida um texto sobre o poder de um sorriso. Foi precisamente ao atravessar a rua em frente a este prédio que testei o sorriso.  Atravessei a rua a pé com o sinal vermelho para os peões e a bela condutora ralhou comigo lá de dentro do twingo dela. Dei-lhe em troca o meu melhor sorriso, sem mais coisa nenhuma, e recebi – como num passe de mágica – um belo sorriso em troca.  Isso foi lá pelos idos de 1986 mais ou menos. Depois disso trago sempre um sorriso no bolso para o que for preciso. É um instrumento poderoso. O mundo está cheio de gente má, talvez apenas a esperarem um sorriso em frente a um prédio premiado para deitarem fora a maldade e partilharem essa coisa boa de sermos todos gente.

Pela primeira vez, em 1944, o Prémio Valmor e o Prémio Municipal de Arquitectura distinguem o mesmo edifício. Trata-se de uma moradia (42) situada na Avenida Pedro Álvares Cabral, 67 cujo autor e proprietário era o arquitecto Luís Ribeiro C. Cristina da Silva (1896-1976).

Lisboa é uma cidade de pessoas. No meio dos edifícios de escritórios ainda moram famílias. Esta moradia que fica entre o jardim da estrela e o largo do rato. Ali, onde há tantas repartições e uma azáfama de gente que entra e sai dos empregos, sobra tempo e espaço para se educarem os jovens nos liceus que ficam defronte, na casa João de Deus que é ali mesmo ao lado. Quem disse que os edifícios de escritórios descaracterizam a cidade? Se durante a semana a avenida assiste a um corropio de gente, à noite e ao fim de semana a cidade é-nos devolvido numa calmaria que parece que nunca nada acontece aqui. Lembra-me March Bloch “A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado”.

Em 1945 o Prémio Valmor foi atribuído a um edifício de habitação (43) localizado na Avenida Sidónio Pais, 14, propriedade de Ferreira & Filho, Lda., com projecto de arquitectura de António Maria V. dos Reis Camelo. Construído no estilo “Estado Novo”,

 

Em 1946 coube o Prémio Valmor a um edifício de habitação (45) situado na Avenida Casal Ribeiro, 12, propriedade de Fortunato Cardoso Nunes e Saúl Saragga com projecto do arquitecto Fernando Silva.

 

Em 1947 foi premiada, com o Prémio Valmor, uma moradia (47) situada na Rua S. Francisco Xavier, 8, que o arquitecto Jorge de Almeida Segurado (1898-1990) projectou para si próprio. Construção de um piso e rodeada de jardim, sofreu alterações na sua estrutura em 1960. É a Embaixada da Tailândia.

 

1948

 

Não atribuído

Em 1949 o Prémio Valmor foi atribuído a um edifício de habitação (49) com o piso térreo ocupado por estabelecimento comercial, situado na Rua Artilharia Um, 105, um projecto do arquitecto João Simões para a Companhia de Seguros Sagres.

 

O Prémio Valmor de 1950 foi atribuído a uma moradia do Restelo, de Joaquim Cantante Mota, situada na R. Duarte Pacheco Pereira, nº37 (encosta da Ajuda) na freguesia de St.ª Maria de Belém. Projectada pelo Arq. Alberto José Pessoa,

 

1951

 

Não atribuído

Em 1952 recebeu título de Prémio Valmor o prédio de habitação (54) projectado pelos Arqts. Fernando Silva e o Arq. João Faria da Costa, situado Av. do Restelo, nº 23 – 23A. Esta obra teve como promotor Américo Serpa e Melo Queiroz

 

1953

 

Não atribuído

1954

 

Não atribuído

1955

 

Não atribuído

1956

 

Não atribuído

1957

 

Não atribuído

O Valmor de 1958, coube ao Edifício dos Laboratórios Pasteur (58), situado na Av. Marechal Gomes de Costa, sendo o proprietário Virgílio Leitão. Um projecto de Carlos Manuel Oliveira Ramos, considerado um dos pioneiros da arquitectura Moderna em Portugal.

 

1959

Neste ano nasceu o Jaime Roriz

 

1960

 

Não atribuído

1961

 

Não atribuído

Em 1962, o Arq. Francisco Keil do Amaral é premiado com o Valmor, sendo o único existente em sua carreira. Tal facto resultou da sua obra, o Edifício de Habitação promovido por Ernesto da Silva Brito, situada na Rua Almirante António Saldanha, nº 44 (Restelo),

 

 

1963

 

Não atribuído

1964

 

Não atribuído

1965

 

Não atribuído

1966

 

Não atribuído

Em 1967 recebeu título de Prémio Valmor o edifício de habitação projectado pelo Arq. Nuno Teotónio Pereira e do Arq. António Pinto Freitas, situado na Rua General Silva Freire, nº 55 – 55 A (Olivais Norte) pertencente à Freguesia St.ª Maria dos Olivais.

 

1968

 

Não atribuído

1969

 

Não atribuído

1970 - A década de setenta teve início com a atribuição de um Prémio Valmor situado no cruzamento entre a Avenida dos Estados Unidos da América n.º 53-53G e a Rua Coronel Bento Roma n.º 12A-12E. Este edifício de utilização mista (61), cuja promotora foi a Sociedade Construtora Fernando Pires Coelho Lda.,

Numa noite de verão em que o calor tornava o dia denso como se tivesse uma névoa, as janelas viradas a nascente e a poente da minha casa faziam esvoaçar os estores de metal do meu quarto, através desse ar que o calor tornou translúcido os nossos olhares cruzavam-se enquanto nos amávamos. Deixei uma grande e bojuda vela acesa junto à janela e de manhã a cera derretida tinha feito o desenho de um coração

 

No ano de 1971 foi atribuído um dos Prémios mais polémicos de sempre. Propriedade de Nuno Franco de Oliveira e autoria dos Arqt.ºs Nuno Teotónio Pereira e João Braula Reis, ergueu-se na Rua Braancamp n.º 9 o Edifício “Franjinhas” (62), assim denominado pelo aspecto resultante do esquema adoptado como protecção solar

De alguma forma podemos sempre pensar que foi neste prédio que o sonho nasceu. No seu livro, alvorada em Abril, Otelo Saraiva de Carvalho, dizia que foi neste prédio que teve lugar a primeira reunião, clandestina, do movimento dos capitães. Lembro-me disso sempre que aqui passo. Aqui nasceu o sonho. Sonho de liberdade, de partilha, de justiça. Sonho de sermos como as “pedras de uma calçada onde cada um de nós faz parte de um todo e não como os tijolos de uma parede em que os de baixo suportam os de cima”  como dizia o grande Quino. O 25 dabril é um movimento romântico atrevo-me eu a dizer. Afinal … afinal eu que fui um dos actores …. Um daqueles manifestantes cabeludos que aparecem nas reportagens da revolução sou agora vítima dessa grande injustiça que tira os filhos aos pais e os dá as mães sem razão, sem motivo, só por pura discriminação sexual. Não posso deixar de pensar essas coisas todas quando passo aqui. Afinal que é da revolução ? Que é feito da vida ? Do amor ? Não era de amor que se tratava ? Eu julguei que era, mas eu tinha quinze anos.

1972

 

Não atribuído

1973

 

Não atribuído

1974

 

Não atribuído

Em 1975 voltou-se à atribuição do Prémio, curiosamente, a duas obras: Sede, Jardins e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian (63) e Igreja do Sagrado Coração de Jesus (64).

Escrever é sempre fonte de sofrimento para mim. A Gulbenkian é talvez uma das minhas primeiras recordações de Lisboa Cidade. Foi lá que vi pela primeira vez – na meninice dos meus 11 anos – uma exposição de escultura e pintura de Rodin e que achei que esta coisa de ser criativo tinha a ver comigo. Naquele ambiente que me parecia solene, em meio das estatuetas de bronze.

Ao domingo percorro a pé o caminho de casa até aos jardins, pego numa namorada – quando há - pelo caminho, compro pão e queijo fresco num supermercado ali perto, e passo a tarde deitado em cima da relva a estudar direito económico se alguém me fizer festinhas na cabeça.

Em 1975 voltou-se à atribuição do Prémio, curiosamente, a duas obras: Sede, Jardins e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian (63) e Igreja do Sagrado Coração de Jesus (64).

Este edifício é em sim mesmo um poema. Tem esta coisa extraordinária de ser sem parecer ser. Passamos por aqui e não damos por ela. Mas, entrando, vamos desembocar num mundo que, sendo a cidade, é uma bolsa de outra coisa. Só indo lá ver. O edifício é uma igreja e tem a solenidade e a nobreza de um espaço sagrado, mas é também um centro social e um pequeno restaurante. Tem sempre uma temperatura agradável porque foi desenhado para isso. Tem plantas em vasos e alguns disparates decorativos que querem significar que ali há pessoas.

O que isto tem de mais extraordinário é o facto de existir sem que ninguém dê por ela. É uma presença que se impõe sem que se dê por isso. E como algumas pessoas só é bonita num segundo olhar. Muito mais bonita na verdade.

1976

 

 

1977

 

 

O ano de 1978 ficou marcado pela escolha de três edifícios: um Prémio Valmor distinguindo um conjunto habitacional (65), situado na Rua Maria Veleda n.º 2-4 e duas Menções Honrosas.

- Este prédio não merece o prémio -   concordou comigo um dos técnicos envolvidos na sua construção. Há algumas pessoas que gosto de admirar.  Ele é uma dessas pessoas. Na minha busca de entender a cidade de Lisboa, fico fascinado com as histórias que me contam. Gosto de desatar a língua a quem sabe essas coisas todas que fizeram a cidade. Falo com ele … pergunto-lhe coisas. E vejo os seus olhinhos de septuagenário a brilharem, numa vivacidade intelectual que é rara até em pessoas jovens. O seu discurso tem sempre uma volta grande para dar corpo às conclusões. Não tem atalhos que a conversa não é para ser feita à pressa e porque temos – eu e ele – todo o tempo do mundo para aquilo que é importante. Separamos o trigo do joio olhando para estes mestres que fizeram Lisboa. Discutimos Edgar Cardoso e os outros operários da cidade.

Eu sei que ele tem outros defeitos graves mas …. é nestes almoços que aprendo o que é Lisboa.

1979

 

Não atribuído

Em 1980, foi premiado um edifício de escritórios (68), à semelhança do que tinha acontecido em 1971. situado no cruzamento da Rua Castilho n.º 223-233 com a Rua D. Francisco Manuel de Melo n.º 2-8, da autoria dos Arqt.ºs Manuel Salgado, Sérgio Coelho e Penha e Costa.

 

1981

 

Não atribuído

O Prémio relativo ao ano de 1982 foi apenas atribuído em 1984, sendo a primeira obra a ser distinguida com o novo Regulamento em vigor. O conjunto habitacional da Encosta das Olaias (69), foi a obra escolhida, da autoria do Arqt.º Tomás Taveira, promovida por Fernando Martins.

 

em 1983 não foi atribuído nenhum Prémio Valmor, mas apenas uma Menção Honrosa à remodelação (71) de uma habitação na Graça, da autoria dos Arqt.ºs António Marques Miguel, Manuel Graça Dias e António de Campos Barbosa Magalhães. Esta intervenção no n.º 46 da Rua da Senhora do Monte,

Menção Honrosa

O edifício do Banco Fonsecas & Burnay (72) situado na Rua Castilho, esquina com a rua Barata Salgueiro, propriedade do banco acima referido, foi distinguido com o Prémio Valmor relativo ao ano de 1984. À equipa autora, composta por sete arquitectos, chefiada pelo Arqt.º Pedro Tojal,

 

1985 - A outra obra premiada com o galardão máximo foi um conjunto habitacional (75) no Lumiar, da autoria do Arqt.º Sérgio Menezes de Melo. Esta obra, de iniciativa camarária que teve como promotora a EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa), caracteriza-se por um grande conjunto urbano,

 

No ano de 1986 um outro conjunto habitacional (79) foi premiado, mas neste caso apenas com a Menção Honrosa, tendo ficado o prémio principal por atribuir. Quanto à Menção, da autoria do Arqt.º Rodrigo Rau, trata-se de mais uma obra da promotora EPUL,

Menção honrosa

O ano de 1987 ficou marcado pela atribuição de um Prémio Valmor ao Instituto Jacob Rodrigues Pereira (80) e de três Menções Honrosas.

 

O Prémio Valmor de 1988 foi atribuído por unanimidade ao edifício do Lloyds Bank (84), na Av. da Liberdade n.º 222, cujo projecto pertencente ao Arqt.º António Augusto Nunes de Almeida, foi requerido pelo Lloyds Bank Plc.

 

Em 1989 o Prémio Valmor foi atribuído ao conjunto habitacional (88), promovido pela Cooperativa Coociclo. O projecto da autoria dos Arqt.ºs Duarte Nuno Simões, Maria do Rosário Venade, Maria Teresa Madeira da Silva, Nuno da Silva Araújo Simões e Sérgio Almeida Rebelo,

 

Em 1990 0 Prémio foi atribuído a um conjunto de residências [91] , localizadas na Rua do Século, 107-109, Rua da Academia das Ciências, 2, e Travessa da Horta, 2-6, um projecto dos arquitectos João Paiva Raposo de Almeida, Pedro Lancastre Ferreira Pinto e Pedro Emauz e Silva,

 

Em 1991 0 Premio Valmor e Municipal de Arquitectura coube a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa [93], um projecto do arquitecto Manuel Mendes Tainha para a Universidade de Lisboa, situada na Alameda da Universidade, Cidade Universitária.

 

1992

 

Não atribuído

Em 1993 0 Prémio Valmor foi atribuído ao Complexo das Amoreiras [95],um projecto do arquitecto Tomas Cardoso Taveira para Empreendimento Urb. Torres das Amoreiras, Lda., Mundicenter-Soc. Imobiliária SA e LONLIS-Emp. Imobiliários Amoreiras SA, situado na Avenida Duarte Pacheco, lotes 7-7 A.

Não gosto das torres da amoreiras

Em 1994 0 Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura foi atribuído a um edifício de habitação [98] situado na Rua Professor Cavaleiro Ferreira, 4, e Rua José Escada, 3, um projecto do arquitecto João Ângelo Paciência para a Habiparque-Cooperativa de Habitação CRL.

Este prédio não merece o prémio

1995

 

Não atribuído

Em 1996 0 júri decidiu atribuir apenas uma Menção Honrosa ao edifício da Companhia de Seguros Metrópole SA [100] situado na Rua Barata Salgueiro, 41, um projecto do arquitecto Henrique Lami Tavares Chico para a Companhia de Seguros Zurich, S.A.

 

O Prémio Valmor de 1997 coube ao Edifício Bagatela (101), um projecto dos arquitectos João M. H. Duarte Ferreira e Miguel Sousa para o Pátio Bagatella Empreendimentos Imobiliários S.A., situado na Rua Artilharia Um, 45-51, esquina coma Travessa da Légua da Póvoa, 11-17,

 

1998 - Um dos edifícios premiados com o Premio Valmor foi o Pavilhão de Portugal [103], localizado na Alameda dos Oceanos, lote 2.12.01, um projecto do arquitecto Álvaro Siza Vieira para a Parque Expo S.A. «O edifício é constituído por dois corpos separados por uma junta de construção:

 

1998 - O outro edifício premiado com o Valmor foi o Pavilhão do Conhecimento dos Mares [104]. Situado na Alameda dos Oceanos, lote 2.09.02, e um projecto do arquitecto João Luís Carrilho da Graça para a Parque Expo S.A..

 

Relativamente ao ano de 1999, o júri decidiu apenas atribuir uma Menção Honrosa à Faculdade de Medicina Veterinária [108], um projecto do arquitecto João Lúcio Lopes para a Universidade Técnica de Lisboa, situado na Rua Professor Cid dos Santos, no Alto da Ajuda, obra realizada entre 1995 e 1998.

 

O Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura referente ao ano de 2000 coube ao Edifício C8 Departamento de Física e Química da Faculdade de Ciências [109], um projecto do arquitecto Gonçalo Byrne para a Faculdade de Ciências da Universidade Clássica de Lisboa, situado na Cidade Universitária, Campo Grande.

 

O Premio Valmor de 2001 foi atribuído ao edifício Atrium Saldanha [111], situado na Praga Duque de Saldanha, 1, Avenida Casai Ribeiro, 63, Rua Fernão Lopes, 4, Rua Engenheiro Vieira da Silva, 18, e Avenida Fontes Pereira de Melo, 44, um projecto dos arquitectos João Paciência e Ricardo Bofill

 

2002 - Um dos prémios foi atribuído ao Edifício da Reitoria da U. 'N. L [112]. Localizado no Campus de Campolide é um projecto dos irmãos Manuel e Francisco Aires Mateus para a Universidade Nova de Lisboa.

 

2002 - O outro Premio \/almor e Municipal de Arquitectura, atribuído em ex-aequo, coube ao Edifício II do I.S.C.T.E. (113), localizado na Avenida Professor Aníbal Bettencourt, na Cidade Universitária, um projecto de Raul Hestnes Ferreira para a Universidade Nova de Lisboa.